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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Notícia: Cana-de-açúcar e javali dão esperança à onça-pintada

Por: Caio Cavalcanti

Espécie invasora que se espalhou pelo Brasil, o javali se adaptou às plantações de cana-de-açúcar e de eucalipto do interior paulista e tem causado grandes prejuízos aos setores que produzem etanol, papel e celulose.

Mas se esse desequilíbrio ecológico põe em risco as principais atividades agrícolas da região pode ser, paradoxalmente, oportunidade para a recuperação da onça-pintada - maior predador das Américas, hoje ameaçado de extinção.

Javali em Mata Atlântica propiciando a volta das onças-pintadas
A previsão foi resultado de pesquisa coordenada por Luciano Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba.
Segundo o trabalho, submetido para publicação na revista Animal Conservation, a transformação de pastagens em canaviais e florestas de eucaliptos favoreceu a explosão do número de javalis nessas áreas.

O estudo prevê que a abundância da espécie invasora atrairá de volta ao interior a onça-pintada, que em São Paulo está confinada à faixa litorânea de Mata Atlântica e ao Parque Estadual do Morro do Diabo, no extremo oeste do estado. Isso significa que a onça-pintada poderá ser salva pelo mesmo fator responsável por seu declínio: as atividades agropecuárias.

"A distribuição do javali é maior a cada dia nas paisagens agrícolas que predominam no interior, canaviais e florestas de eucaliptos, enquanto as onças estão nas bordas, a leste e a oeste. Essa combinação espacial indica grande potencial de colonização dessas paisagens pelas onças-pintadas", disse Verdade. Segundo ele, em breve, as onças vão detectar os javalis e começarão a aparecer nas plantações.

Caso a previsão se concretize, o setor produtivo e os gestores públicos terão de aprender a lidar com o manejo da onça. "É muito bom que aconteça o retorno da onça-pintada, em vez de sua extinção. Mas há um custo e um risco eventual que precisam ser previstos."

O pesquisador prevê que serão necessárias pessoas capacitadas para gerenciar a onça-pintada na paisagem agrícola. Mais que isso, será preciso gerar conhecimento e inovação tecnológica. "Precisamos ser proativos, em vez de reativos. O primeiro passo é alertar que essa é a possibilidade real, para que a sociedade discuta a questão."

Embora a presença da onça-pintada possa parecer assustadora para quem está próximo das áreas agrícolas, cientistas afirmam que seu manejo adequado trará benefícios ecológicos, cujos frutos podem ser vantajosos para o setor. O mais evidente deles será limitar o alastramento dos javalis.


Fonte: Exame

Artigo: Migração e conservação do peixe Dourado em um trecho do rio São Francisco

Autor: Francisco Ricardo de Andrade Neto
Tese de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais
Ano de Publicação: 2012

Resumo por: Caio Cavalcanti

O dourado (Salminus franciscanus Lima & Bristki, 2007) é um dos peixes mais importantes na pesca profissional e amadora do rio São Francisco. Entre 2005-07, dourados adultos (n = 4 107) foram capturados próximo à foz do rio Abaeté (Pontal), marcados com radiotransmissores (n = 41) e rastreados (n = 33) no rio São Francisco entre as cidades de Três Marias e São Romão. Objetivou-se no estudo conhecer aspectos da sua biologia como: área de vida linear, diferenças sazonais nos deslocamentos e fidelidade local (homing). 

Peixe Dourado em seu Habitat Natural
A relação desses aspectos com a necessidade de manutenção da pesca (períodos e locais de maior captura) e da construção de novas barragens (influência do nível da água nas capturas) também foi avaliada. Dourados exibiram áreas de vida com tamanhos variáveis (4,6 a 243,6 km) e 12 realizaram deslocamentos de até 35 km entre novembro e janeiro. Estes deslocamentos estão relacionados a eventos pré-reprodutivos, reprodutivos e pós-reprodutivos. No período não reprodutivo, deslocamentos menores que 3 km foram realizados. Foi detectada fidelidade local no período reprodutivo, no período não reprodutivo e entre períodos reprodutivos. O Pontal e o mês de outubro foram considerados o local e período mais importantes para a captura de dourados. A foz de tributários são áreas de proibição de pesca pela lei, mas o mês de outubro não é contemplado no período de defeso. 

A relação entre captura e o nível da água dos rios, mostrou que a maior parte das capturas ocorreu enquanto o São Francisco se mantinha estável e o Abaeté em ciclo de cheia. A construção de barragens bloqueará o rio Abaeté, controlará a ocorrência dessas cheias e impedirá o transito de dourados entre os rios e não fornecerá áreas suficientes a manutenção de populações de dourados entre os reservatórios. Sob o ponto de vista da conservação do dourado, recomenda-se a manutenção do rio Abaeté, como importante trecho lótico para o dourado; a inclusão de outubro no período de proibição da pesca do dourado, em detrimento do mês de fevereiro; a manutenção da foz do rio Abaeté como área de proibição da pesca, a inclusão do trecho do Rio São Francisco a montante do Pontal como área prioritária para a conservação do dourado.

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